Aumento do poder de compra dos consumidores, especialmente a classe C, impulsiona vendas de chocolates e peixes
iG São Paulo | 01/03/2012 16:17
Os supermercados de São Paulo esperam vender 10% a mais nesta Páscoa, em comparação ao volume de vendas registrado no ano passado. Segundo a Apas, associação que representa o setor, o aumento do poder de compra dos consumidores, especialmente da classe C, é um dos fatores que deve seguir motivando o aumento das vendas.
O destaque fica com chocolates – o Brasil é o quarto maior produtor do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, Alemanha e Inglaterra. A proximidade da Páscoa, que neste ano ocorre em 8 de abril, já está se refletindo nos preços de chocolates, segundo levantamento da Apas. Depois de acumular queda de 4,2% nos últimos 12 meses, o preço do chocolate já registra alta de 0,6% em janeiro. A expectativa é de que os preços fiquem, em média, 9% mais caros que em 2011.
“A chegada da Páscoa pressiona os preços, e assim, a elevação é esperada para os próximos meses”, diz em nota Martinho Paiva Moreira, diretor de economia da Apas. Segundo ele, o aumento deve ser motivado pelo reajuste de preços dos insumos para a produção de ovos de Páscoa, como o açúcar, energia elétrica e mão de obra.
O consumo de chocolate no Brasil tem crescido entre 10% a 15% nos últimos anos, informa a Apas. Atualmente, o brasileiro consome em média 2,2 quilos de chocolate por ano, ainda abaixo do nível de consumo em países europeus, que chega a seis quilos.
Na Cacau Show, rede de chocolates finos, a expectativa é vender R$ 400 milhões nesta Páscoa, 28,7% mais que o registrado no mesmo período do ano passado. A empresa está preparando para este ano 4,2 mil toneladas de chocolates, em formato de ovos, coelhinhos, bombons e barras.
Além dos chocolates, a Apas afirma que os pescados em geral também impulsionam as vendas dos supermercados paulistas nesta Páscoa, com destaque para bacalhau, sardinha e pescada branca. Vinhos e azeites também registram aumento das vendas nesta época do ano.
O mês da Páscoa é o segundo melhor para os supermercados, atrás somente de dezembro, quando se registra o maior volume de vendas do setor. Segundo a Apas, a Páscoa responde, em média, entre 7% e 9% do faturamento anual dos supermercados.
Segundo a Apas, o aumento das vendas na época da Páscoa também deve contribuir para ampliar os postos de trabalho. Entre janeiro e abril, a alta no número de funcionários pode chegar a 1% do total no setor supermercadista no estado de São Paulo.
Esse blog existe para o compartilhamento de conhecimentos entre os alunos do curso de administração da Etec Trajano Camargo de Limeira. Seja bem vindo
quinta-feira, 1 de março de 2012
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Dívida pública recua 3,5% em janeiro, para R$ 1,8 trilhão, diz Tesouro
Alto volume de vencimentos, de R$ 117 bilhões, baixou dívida em janeiro. Tesouro emitiu mais R$ 10 bilhões em janeiro para capitalizar o BNDES.
27/02/2012 14h43 - Atualizado em 27/02/2012 15h10 - Alexandro Martello - Do G1, em Brasília
A dívida pública federal, o que inclui os endividamentos interno e externo, recuou 3,5% em janeiro deste ano, para R$ 1,8 trilhão, segundo informações divulgadas nesta segunda-feira (27) pela Secretaria do Tesouro Nacional. Em dezembro, a dívida somava R$ 1,86 trilhão.
O alto volume de vencimentos registrado em janeiro deste ano, no valor de R$ 117 bilhões, sendo R$ 107 bilhões em papéis prefixados (que têm a correção determinada no momento do leilão), foi o principal fator que contribuiu para a queda da dívida no primeiro mês deste ano, de acordo com números oficiais.
Por outro lado, contribuíram para o aumento da dívida pública no mês passado as emissões de títulos públicos, que somaram R$ 41 bilhões em janeiro, dos quais R$ 10 bilhões para capitalizar o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Além disso, as despesas com juros da dívida pública, que totalizaram R$ 15,87 bilhões no mês passado, também elevaram a dívida em igual proporção.
Dívidas interna e externa.
No caso da dívida interna, segundo informou o Tesouro Nacional, foi registrado uma queda de 3,29% em janeiro deste ano, para R$ 1,72 trilhão. Em dezembro de 2011, a dívida interna estava em R$ 1,78 trilhão. Neste caso, a queda foi de R$ 59 bilhões.
Já a dívida externa brasileira, resultado da emissão de bônus soberanos no mercado internacional e de contratos firmados no passado, o governo contabilizou a redução de 7,8% no mês passado, para R$ 76,8 bilhões. No fim de 2011, o estoque da dívida externa estava em R$ 83,3 bilhões. A dívida externa recuou R$ 6,5 bilhões em janeiro.
Perfil da dívida
Com o forte vencimento de títulos prefixados em janeiro, recuou a participação deste tipo de papel no total da dívida. Os números, calculados após a contabilização dos contratos de "swap cambial", mostram que o estoque de títulos prefixados somou R$ 606 bilhões em janeiro, ou 35,17% do total, contra R$ 682 bilhões, ou 38,2% do total, em dezembro do ano passado.
Os títulos atrelados aos juros básicos da economia (os pós-fixados), por sua vez, tiveram sua participação elevada em janeiro. No fim do mês passado, representavam 33,18% do estoque total da dívida interna, ou R$ 572 bilhões, contra 31,7% do total (R$ 565 bilhões) em dezembro do ano passado.
A parcela da dívida atrelada aos índices de preços (inflação) somou 31,25% em janeiro deste ano, ou R$ 538,8 bilhões, contra 29,6% do total no fim de 2011, o equivalente a R$ 527,7 bilhões. Os ativos indexados à variação da taxa de câmbio, por sua vez, somaram 0,4% do total em janeiro (R$ 6,92 bilhões), mesmo percentual de dezembro do ano passado.
27/02/2012 14h43 - Atualizado em 27/02/2012 15h10 - Alexandro Martello - Do G1, em Brasília
A dívida pública federal, o que inclui os endividamentos interno e externo, recuou 3,5% em janeiro deste ano, para R$ 1,8 trilhão, segundo informações divulgadas nesta segunda-feira (27) pela Secretaria do Tesouro Nacional. Em dezembro, a dívida somava R$ 1,86 trilhão.
O alto volume de vencimentos registrado em janeiro deste ano, no valor de R$ 117 bilhões, sendo R$ 107 bilhões em papéis prefixados (que têm a correção determinada no momento do leilão), foi o principal fator que contribuiu para a queda da dívida no primeiro mês deste ano, de acordo com números oficiais.
Por outro lado, contribuíram para o aumento da dívida pública no mês passado as emissões de títulos públicos, que somaram R$ 41 bilhões em janeiro, dos quais R$ 10 bilhões para capitalizar o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Além disso, as despesas com juros da dívida pública, que totalizaram R$ 15,87 bilhões no mês passado, também elevaram a dívida em igual proporção.
Dívidas interna e externa.
No caso da dívida interna, segundo informou o Tesouro Nacional, foi registrado uma queda de 3,29% em janeiro deste ano, para R$ 1,72 trilhão. Em dezembro de 2011, a dívida interna estava em R$ 1,78 trilhão. Neste caso, a queda foi de R$ 59 bilhões.
Já a dívida externa brasileira, resultado da emissão de bônus soberanos no mercado internacional e de contratos firmados no passado, o governo contabilizou a redução de 7,8% no mês passado, para R$ 76,8 bilhões. No fim de 2011, o estoque da dívida externa estava em R$ 83,3 bilhões. A dívida externa recuou R$ 6,5 bilhões em janeiro.
Perfil da dívida
Com o forte vencimento de títulos prefixados em janeiro, recuou a participação deste tipo de papel no total da dívida. Os números, calculados após a contabilização dos contratos de "swap cambial", mostram que o estoque de títulos prefixados somou R$ 606 bilhões em janeiro, ou 35,17% do total, contra R$ 682 bilhões, ou 38,2% do total, em dezembro do ano passado.
Os títulos atrelados aos juros básicos da economia (os pós-fixados), por sua vez, tiveram sua participação elevada em janeiro. No fim do mês passado, representavam 33,18% do estoque total da dívida interna, ou R$ 572 bilhões, contra 31,7% do total (R$ 565 bilhões) em dezembro do ano passado.
A parcela da dívida atrelada aos índices de preços (inflação) somou 31,25% em janeiro deste ano, ou R$ 538,8 bilhões, contra 29,6% do total no fim de 2011, o equivalente a R$ 527,7 bilhões. Os ativos indexados à variação da taxa de câmbio, por sua vez, somaram 0,4% do total em janeiro (R$ 6,92 bilhões), mesmo percentual de dezembro do ano passado.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Apple intensifica discussão sobre uso de caixa
Tim Cook também previu que no futuro os tablets superarão os computadores pessoais em volume de vendas
Reuters | 15/02/2012 11:23
O conselho de administração da Apple está discutindo de maneira muito ativa sobre o que fazer com as reservas de caixa da empresa, declarou o presidente-executivo, Tim Cook, na terça-feira, respondendo a apelos para que a empresa coloque suas reservas para trabalhar.
Cook, em uma rara discussão com investidores, falou também sobre uma oportunidade "espantosa" nos celulares inteligentes. Declarou que a trajetória do iPad era "altamente positiva", e previu que no futuro os tablets superarão os computadores pessoais em volume de vendas, erodindo o domínio do sistema operacional Windows, da Microsoft.
Ele reconheceu, porém, que a Amazon.com, com seu tablet Kindle Fire, se tornou um concorrente sério.
As ações da Apple subiram e fecharam cotadas a 509,46 dólares na Nasdaq na terça-feira, batendo um recorde de alta, devido à esperança de forte demanda pelo iPhone 4S e ao otimismo dos investidores quanto ao lançamento de um novo iPad em 2012.
Os investidores vêm apelando cada vez mais vigorosamente para que a Apple restitua parte de suas reservas de caixa de 98 bilhões de dólares aos acionistas, em forma de dividendo ou recompra de ações, mesmo que em caráter extraordinário.
Na terça-feira, Cook, pediu aos investidores presentes a uma conferência de tecnologia do Goldman Sachs que tenham paciência sobre as reservas de caixa da companhia.
"Peço apenas um pouco de paciência para que possamos agir com reflexão e levando em conta os melhores interesses dos acionistas", disse Cook, brincando ao afirmar que a Apple não gastará o dinheiro em festas.
"Não é novidade que estamos discutindo o assunto. Ele está sendo discutido de forma mais intensa e mais detalhada", acrescentou.
Cook alimentou as especulações de que a Apple possa estar pensando seriamente em televisão, mas alertou os investidores de que o potencial de mercado nesse segmento é pequeno, se comparado a tablets e celulares inteligentes.
A empresa no momento vende o Apple TV, um conector de TV que descreve como "hobby".
"Como regra geral, a Apple não tem hobbies", disse o executivo. "No caso do Apple TV, apesar das barreiras do mercado, aqueles que o usam sempre acharam que há alguma coisa ali a ser explorada, e se continuarmos seguindo nossa intuição e avançando, podemos encontrar algo maior."
Ele evitou comentar se a Apple está preparando uma grande iniciativa no mercado de televisores.
Cook, que assumiu o comando da Apple depois que Steve Jobs ficou por demais doente para continuar como presidente-executivo, afirmou que tem mantido a política da empresa de se concentrar apenas em alguns produtos. "Eu acredito nisso profundamente", disse o executivo.
Reuters | 15/02/2012 11:23
O conselho de administração da Apple está discutindo de maneira muito ativa sobre o que fazer com as reservas de caixa da empresa, declarou o presidente-executivo, Tim Cook, na terça-feira, respondendo a apelos para que a empresa coloque suas reservas para trabalhar.
Cook, em uma rara discussão com investidores, falou também sobre uma oportunidade "espantosa" nos celulares inteligentes. Declarou que a trajetória do iPad era "altamente positiva", e previu que no futuro os tablets superarão os computadores pessoais em volume de vendas, erodindo o domínio do sistema operacional Windows, da Microsoft.
Ele reconheceu, porém, que a Amazon.com, com seu tablet Kindle Fire, se tornou um concorrente sério.
As ações da Apple subiram e fecharam cotadas a 509,46 dólares na Nasdaq na terça-feira, batendo um recorde de alta, devido à esperança de forte demanda pelo iPhone 4S e ao otimismo dos investidores quanto ao lançamento de um novo iPad em 2012.
Os investidores vêm apelando cada vez mais vigorosamente para que a Apple restitua parte de suas reservas de caixa de 98 bilhões de dólares aos acionistas, em forma de dividendo ou recompra de ações, mesmo que em caráter extraordinário.
Na terça-feira, Cook, pediu aos investidores presentes a uma conferência de tecnologia do Goldman Sachs que tenham paciência sobre as reservas de caixa da companhia.
"Peço apenas um pouco de paciência para que possamos agir com reflexão e levando em conta os melhores interesses dos acionistas", disse Cook, brincando ao afirmar que a Apple não gastará o dinheiro em festas.
"Não é novidade que estamos discutindo o assunto. Ele está sendo discutido de forma mais intensa e mais detalhada", acrescentou.
Cook alimentou as especulações de que a Apple possa estar pensando seriamente em televisão, mas alertou os investidores de que o potencial de mercado nesse segmento é pequeno, se comparado a tablets e celulares inteligentes.
A empresa no momento vende o Apple TV, um conector de TV que descreve como "hobby".
"Como regra geral, a Apple não tem hobbies", disse o executivo. "No caso do Apple TV, apesar das barreiras do mercado, aqueles que o usam sempre acharam que há alguma coisa ali a ser explorada, e se continuarmos seguindo nossa intuição e avançando, podemos encontrar algo maior."
Ele evitou comentar se a Apple está preparando uma grande iniciativa no mercado de televisores.
Cook, que assumiu o comando da Apple depois que Steve Jobs ficou por demais doente para continuar como presidente-executivo, afirmou que tem mantido a política da empresa de se concentrar apenas em alguns produtos. "Eu acredito nisso profundamente", disse o executivo.
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Infraestrutura precária eleva custo logístico em R$17 bi
Transportar um contêiner do Porto de Santos até a capital paulista pode custar tão caro quanto trazer um da China
AE | 20/02/2012 11:02
A travessia das regiões metropolitanas tem provocado uma grande pressão sobre os custos de transporte no País. Em São Paulo, por exemplo, há restrição para a circulação de caminhões de grande porte nas marginais e áreas centrais. Mesmo nas cidades onde a movimentação é livre, os congestionamentos elevam os prejuízos. "Atrasos representam custo maior com óleo, diesel, salário e manutenção", observa Valdir Santos, presidente da ASA Transportes. Segundo ele, outro problema que afeta a vida dos clientes é a insegurança no transporte. "O volume de escoltas entre São Paulo e Santos, por exemplo, cresceu 400% em 2011."
Ele destaca que empresas menores estão deixando de fazer essa rota por causa da elevação dos custos provocados pelos atrasos no descarregamento das cargas em Santos e demora para atravessar São Paulo. Quem contrata os serviços de uma transportadora paga o valor do frete - que não é nada barato -, mas não é responsável pelo tempo gasto durante o percurso. De São Paulo a Santos, diz o executivo, paga-se cerca de R$ 1 mil pelo frete, mais o pedágio (que pode chegar a R$ 800) e também serviço de segurança e seguro.
Por outro lado, os gargalos viraram uma grande oportunidade de negócios na área de armazenagem. A JSL (antiga Julio Simões) está montando um Centro Logístico Intermodal na cidade de Itaquaquecetuba, ao lado da Rodovia Ayrton Senna e da ferrovia. O objetivo é trazer a carga pela ferrovia, por exemplo, até o local. Dali a mercadoria segue em caminhões menores para ser distribuída em São Paulo e região, sem restrição de horários. "O empresariado tem superado as dificuldades com criatividade", afirma o presidente da JSL, Fernando Simões.
Da China até o Brasil, um contêiner percorre cerca de 17 mil quilômetros (km) numa viagem que pode durar 35 dias de navio. O transporte de cada unidade até o Porto de Santos fica em torno de US$ 1,2 mil (R$ 2 mil), dependendo do tamanho da embarcação e das negociações com os armadores. Dali até a capital paulista são apenas 77 km, quase nada diante da viagem feita desde o Oriente. Mas o custo - pasmem - é o mesmo.
A movimentação de carga entre Santos e São Paulo custa cerca de R$ 2 mil por contêiner, conta Fernando Nicory, diretor da Magma, empresa do setor têxtil que compra parte de sua matéria-prima no exterior. "A mercadoria cruza o mundo por US$ 1,2 mil e sobe a serra por R$ 2 mil. Isso tira a competitividade e diminui nosso espaço no mercado internacional", lamenta Nicory.
Como o executivo, outras indústrias sofrem do mesmo mal. A infraestrutura precária tem provocado uma expansão sem limites nos custos logísticos. Segundo um estudo do Departamento de Competitividade de Tecnologia (Decomtec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), as empresas têm uma despesa anual extra de R$ 17 bilhões por causa das péssimas condições das estradas, burocracia (e sucateamento) nos portos, falta de capacidade das ferrovias e gastos com armazenagem.
Tudo isso aliado à exorbitante carga tributária do País cria um ambiente inóspito à expansão dos negócios. "Está muito caro produzir no Brasil", lamenta o diretor do Decomtec, José Ricardo Roriz, responsável pelo estudo Carga Extra na Indústria Brasileira, feito a partir de uma pesquisa com 1.211 empresas do setor. Segundo elas, 0,36% (R$ 6,2 bilhões) do faturamento anual é gasto com manutenção da frota de veículos; 0,6% (R$ 10,2 bilhões) vai para o transporte das mercadorias; e 0,4% (R$ 675 milhões) fica com armazenagem obrigatória devido aos atrasos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
AE | 20/02/2012 11:02
A travessia das regiões metropolitanas tem provocado uma grande pressão sobre os custos de transporte no País. Em São Paulo, por exemplo, há restrição para a circulação de caminhões de grande porte nas marginais e áreas centrais. Mesmo nas cidades onde a movimentação é livre, os congestionamentos elevam os prejuízos. "Atrasos representam custo maior com óleo, diesel, salário e manutenção", observa Valdir Santos, presidente da ASA Transportes. Segundo ele, outro problema que afeta a vida dos clientes é a insegurança no transporte. "O volume de escoltas entre São Paulo e Santos, por exemplo, cresceu 400% em 2011."
Ele destaca que empresas menores estão deixando de fazer essa rota por causa da elevação dos custos provocados pelos atrasos no descarregamento das cargas em Santos e demora para atravessar São Paulo. Quem contrata os serviços de uma transportadora paga o valor do frete - que não é nada barato -, mas não é responsável pelo tempo gasto durante o percurso. De São Paulo a Santos, diz o executivo, paga-se cerca de R$ 1 mil pelo frete, mais o pedágio (que pode chegar a R$ 800) e também serviço de segurança e seguro.
Por outro lado, os gargalos viraram uma grande oportunidade de negócios na área de armazenagem. A JSL (antiga Julio Simões) está montando um Centro Logístico Intermodal na cidade de Itaquaquecetuba, ao lado da Rodovia Ayrton Senna e da ferrovia. O objetivo é trazer a carga pela ferrovia, por exemplo, até o local. Dali a mercadoria segue em caminhões menores para ser distribuída em São Paulo e região, sem restrição de horários. "O empresariado tem superado as dificuldades com criatividade", afirma o presidente da JSL, Fernando Simões.
Da China até o Brasil, um contêiner percorre cerca de 17 mil quilômetros (km) numa viagem que pode durar 35 dias de navio. O transporte de cada unidade até o Porto de Santos fica em torno de US$ 1,2 mil (R$ 2 mil), dependendo do tamanho da embarcação e das negociações com os armadores. Dali até a capital paulista são apenas 77 km, quase nada diante da viagem feita desde o Oriente. Mas o custo - pasmem - é o mesmo.
A movimentação de carga entre Santos e São Paulo custa cerca de R$ 2 mil por contêiner, conta Fernando Nicory, diretor da Magma, empresa do setor têxtil que compra parte de sua matéria-prima no exterior. "A mercadoria cruza o mundo por US$ 1,2 mil e sobe a serra por R$ 2 mil. Isso tira a competitividade e diminui nosso espaço no mercado internacional", lamenta Nicory.
Como o executivo, outras indústrias sofrem do mesmo mal. A infraestrutura precária tem provocado uma expansão sem limites nos custos logísticos. Segundo um estudo do Departamento de Competitividade de Tecnologia (Decomtec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), as empresas têm uma despesa anual extra de R$ 17 bilhões por causa das péssimas condições das estradas, burocracia (e sucateamento) nos portos, falta de capacidade das ferrovias e gastos com armazenagem.
Tudo isso aliado à exorbitante carga tributária do País cria um ambiente inóspito à expansão dos negócios. "Está muito caro produzir no Brasil", lamenta o diretor do Decomtec, José Ricardo Roriz, responsável pelo estudo Carga Extra na Indústria Brasileira, feito a partir de uma pesquisa com 1.211 empresas do setor. Segundo elas, 0,36% (R$ 6,2 bilhões) do faturamento anual é gasto com manutenção da frota de veículos; 0,6% (R$ 10,2 bilhões) vai para o transporte das mercadorias; e 0,4% (R$ 675 milhões) fica com armazenagem obrigatória devido aos atrasos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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