quarta-feira, 7 de março de 2012

Deficiente intelectual assume atendimento

Empresas exploram aptidão para lidar com público e ajudar clientes; antes, profissionais eram relegados a tarefas internas
Lei exige deficientes nas empresas; dos 300 mil que estão empregados, 15 mil têm deficiência intelectual

Bancos, lojas e supermercados têm colocado funcionários com diferentes tipos de deficiência intelectual (como síndrome de Down e deficit de aprendizagem) na linha de frente do atendimento ao cliente.

Eram funcionários que estavam escondidos em atividades internas de empresas preocupadas em cumprir a lei de cotas (o setor privado é obrigado a empregar de 2% a 5% de deficientes), que agora lidam com o público.

Amparadas em treinamento especializado, empresas como Pão de Açúcar e Citibank descobriram nos deficientes intelectuais profissionais preocupados com o bem-estar do cliente e com aptidão acima da média para ouvir e atender diferentes pedidos.

São empacotadores e atendentes da mercearia do supermercado que não deixarão o freguês levar um produto de limpeza aberto, uma lata amassada ou algo sem condições perfeitas de uso. Não vão sossegar até resolver o problema de um cliente e ficarão incomodados se vir alguém mofar na fila do banco.

Quem vai à agência do Citi da Mooca (zona leste de SP) é recebido por Eduardo Ferreira Filho, 26, assistente de atendimento. Poucos sabem que Dudu, como é conhecido, só foi alfabetizado aos 16 anos e tem dificuldade de aprendizagem.

Enquanto o cliente espera, Dudu oferece café, pergunta se tem alguma conta para colocar em débito automático e se deseja fazer uma cotação de seguro do carro. "É sem compromisso. Vai que é melhor e mais barato?", diz.

"O Dudu é o relações-públicas da agência. E vende muito seguro. É o mais dedicado, não falta a um amigo-secreto, uma festa da firma. Nas férias, fica com saudade e vem visitar a gente", diz o gerente Rui Fontoura.

Empacotadora do Pão de Açúcar da rua Afonso Bovero (zona oeste), Roberta Macetti, 35, que tem síndrome de Down, conhece alguns fregueses pelo nome. Quando o movimento está fraco, ela se oferece para lavar a louça da copa dos funcionários. "Não gosto de ficar parada", disse.

CAFÉ COM LEITE
No Pão de Açúcar e no Citi, o funcionário deficiente tem carga horária, avaliação e salário iguais aos dos colegas na mesma função.

"Não pode ter 'café com leite'. A chave desses programas é o treinamento e o preparo do ambiente de trabalho. A presença do deficiente torna as pessoas mais solidárias, preocupadas. Elas se sentem orgulhosas de trabalhar em lugar que respeita as diferenças e as limitações de cada um", disse Marcelo Vitoriano, gerente da Avape, que ajuda nos programas do Citi e do Pão de Açúcar.

Há no país cerca de 300 mil deficientes trabalhando. Desses, só 15 mil são intelectuais, ainda os menos incluídos no mercado de trabalho.

"O deficiente tem uma tolerância ao estresse maior do que a média da população. Como passaram por processos exaustivos de reabilitação, aprenderam a trabalhar a convivência, são socializados e tolerantes com as demais pessoas. É uma vantagem, uma habilidade que muita gente não tem", disse Linamara Rizzo Batti, secretária paulista do deficiente.

Depoimento
Tenho Down e sou repórter, com orgulho. FERNANDA HONORATO ESPECIAL PARA A FOLHA

Quando eu era pequena, gostava de brincar que era a Marília Gabriela e entrevistava as pessoas da minha família. Se falasse naquela época para alguém que um dia eu seria uma repórter de verdade, ninguém acreditaria. Mas isso aconteceu.

Fui entrevistada no "Programa Especial" da TV Brasil, que fala sobre pessoas com deficiência. A Ângela, diretora, gostou da minha entrevista e achou que eu podia ser repórter. Fez um teste comigo e passei.

Muita gente achou que ela era maluca de ter uma repórter com Down, mas deu tudo certo e me saí muito bem. O que a Ângela me disse foi que era importante ter o ponto de vista de uma pessoa com síndrome de Down no programa.

Muitas pessoas com Down, como eu, ficam felizes de serem entrevistadas por mim. Entrevisto também pessoas que não têm deficiência e faço reportagens sobre assuntos que não têm a ver com deficiência.

A relação com meus colegas de trabalho é ótima. Aprendo com eles, e eles, comigo. Dou ideias para reportagens, penso em perguntas e gosto de ir à ilha (de edição) espiar o que está acontecendo e ver como ficaram minhas reportagens.

Uma viagem de trabalho que gostei muito de fazer foi para a Bahia e estou muito animada com minha próxima, a primeira internacional. Vou para Nova York gravar na ONU, que pelo primeiro ano vai comemorar o Dia Internacional da Síndrome de Down (21 de março).

Tenho orgulho do meu trabalho. Sendo repórter, mostro à sociedade que podemos fazer muitas coisas. Fiquei feliz quando uma revista italiana disse que sou a primeira repórter com síndrome de Down no mundo.

Além de ser repórter, também sou rainha de bateria da Escola de Samba Embaixadores da Alegria (voltada a pessoas com deficiência), faço teatro no Grupo Teatro Novo, aula de dança cigana e natação. O apoio da minha família foi muito importante para eu chegar até aqui.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Procurando emprego?

Proposta de emprego para os alunos da administração:

Cargo: Auxiliar Administrativo

Função: serviços bancários, organizar uniformes e arquivos e xeróx.

Maiores detalhes com Professores Ricardo ou Marcelo.

ROTEIRO PARA ELABORAÇÃO DE UMA MONOGRAFIA.

Caros alunos e alunas, postei esse material para auxiliá-los na elaboração da monografia. Não cobrarei 100% de exatidão, mas me balizarei pelos mais exatos quanto a metodologia, portanto aos que ficarem muito longe desta restará um conceito inferior. Aproveitem o material e tirem suas dúvidas o mais rápido possível, o impossível fazemos na hora, milagre demora um pouco.

CAPÍTULO 1 – TÍTULO DO CAPÍTULO UM
(revisão da literatura voltada para a variável independente)
A revisão da literatura não deve ser uma seqüência impessoal de resumos de outros trabalhos; ao contrário, deve incluir a contribuição do autor demonstrando que os trabalhos foram examinados e criticados objetivamente. Geralmente, no Capítulo 1, são mostradas e comentadas as referências bibliográficas que oferecem a sustentação conceitual/ operacional do tema. São destacados comentários e citações de trabalhos científicos que apresentam semelhanças e relações com o assunto/ tema que está sendo investigado. Não se trata de um rol de citações. O autor deve construir uma moldura conceitual do tema, fazendo a ligação entre a bibliografia pesquisada e a situação problema, que está sendo estudada.

CAPÍTULO 2 – TÍTULO DO CAPÍTULO DOIS
(revisão da literatura voltada para a variável independente)
Idem à revisão da literatura descrita para o Capítulo 1 só que agora voltado para a variável dependente. Deve ser evidenciada a situação-problema relativa à variável dependente, palco para a aplicação da teoria descrita no capítulo 1, com objetivo de estudo das suas influências na hipotética solução do problema de pesquisa.
Variável dependente é aquela que será estudada, em função de ser influenciada, determinada ou afetada pela variável independente. É sobre ela que o pesquisador está buscando explicações para um fenômeno e querendo testar a influência da aplicação da variável independente objetivando possível solução do problema de pesquisa.

CAPÍTULO 3 – TÍTULO DO CAPÍTULO TRÊS
(caso prático, análise dos resultados e proposta de solução)
No Capítulo 3, pode-se apresentar a aplicação da teoria detalhada e devidamente referenciada no Capítulo 1, num determinado ramo, negócio ou caso, de uso prático ou teórico, também, referenciado por autores renomados e reconhecidos devidamente explanados no Capítulo 2. Devem ser apresentados os resultados obtidos de forma objetiva, exata, clara e lógica. Podem-se incluir tabelas, quadros ou figuras em geral (desenhos, gráficos, mapas, esquemas, modelos fotografias, etc.). Ressaltar as evidências que esclareçam cada questão levantada através de análises quantitativas, e/ou qualitativas, das informações e dados obtidos. Em face dos achados, testar a hipótese formulada (monografia). Evidenciar os resultados em atenção aos objetivos propostos. Com apoio de o referencial bibliográfico consultado dar significado aos resultados obtidos e apresentar proposta de solução à situação-problema descrita no segundo parágrafo da Introdução e evidenciada no Capítulo 2, quando da descrição da variável dependente.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Pode também ser chamado de conclusões. Deve comportar as evidências e os aspectos mais importantes identificados com a pesquisa sobre o tema, e, diante da análise dos dados, descrever a síntese final do trabalho, não sendo permitida a inclusão de novos dados. Deve ser evitado o lugar-comum, simplesmente repetindo frases ditas antes. Devem-se refazer os principais argumentos de maneira concisa, clara, objetiva e direta.
Nas conclusões devem ser evitadas duas atitudes extremas: insinuar ser pretensioso; ou pecar por excesso de humildade. Por mais brilhante que sejam, em se tratando de ciência, as conclusões podem superar o conhecimento prévio, que, por sua vez, também pode ser superado. O excesso de humildade pode comprometer a aplicabilidade inferindo, mesmo a um leigo, que as conclusões são demasiadas restritas.
Nas considerações finais, o autor deve manifestar seu ponto de vista a respeito dos resultados alcançados, podendo constar, também desta seção, algumas recomendações ou sugestões práticas propostas pelo autor, além de indicações de novas pesquisas derivadas do estudo em questão. Não se pode esquecer que as conclusões, como produto final de uma pesquisa, devem ser consideradas como provisória e aproximativas. Não deve haver citações de outros autores nas Considerações Finais.

sábado, 3 de março de 2012

Empresa de Piracicaba que cria vespas está entre as mais inovadoras do mundo


Montagem com a microvespa e os sócios Diogo Carvalho e Marcelo Poletti, da Bug

Piero Locatelli
Do UOL, em Piracicaba
02/03/2012 - 07h00

Criar vespas em larga escala. Esse é o negócio da Bug Agentes Biológicos, a brasileira melhor colocada no ranking das 50 empresas mais inovadoras do mundo, segundo listagem anual da revista norte-americana "Fast Company". O empreendimento sediado em uma estrada em Piracicaba, a 160 km de São Paulo, ficou com o 33º lugar na relação, ao lado das famosas empresas sediadas no Vale do Silício, como Apple, IBM e Facebook. E está à frente de gigantes como Petrobras, Embraer e Grupo EBX, do empresário Eike Batista.

Os insetos criados pela Bug têm a função de substituir o agrotóxico no combate de pragas destruidoras de lavouras. O chamado controle biológico é uma técnica que já existia em pequena escala há décadas. O trabalho da Bug foi aprimorar essa tecnologia para que pudesse ser aplicada em grandes plantações.

As vespas microscópicas do gênero Trichogramma são o carro-chefe da empresa. Elas são criadas na empresa e enviadas dentro de cápsulas de papelão às plantações, onde devem chegar em menos de 7 dias. No campo, elas se desenvolvem e impedem o crescimento das larvas nocivas à agricultura.

“A empresa leva os inimigos naturais de volta à plantação para reestabelecer o equilíbrio”, diz Heraldo Negri, diretor de produção. O maior uso da vespa ocorre em plantações de cana-de-açúcar, mas ela pode impedir o crescimento de pragas de 28 culturas diferentes.

Ao contrário do agrotóxico convencional, a vespa não deixa a praga mais resistente e só requer uma aplicação por safra. Outra diferença é que ela impede o desenvolvimento da praga ainda no ovo, zerando os danos à plantação.

A solução ainda é oferecida a um valor significativamente mais baixo em relação ao controle químico. Segundo a Bug, a técnica reduz de 30% a 40% o gasto original em agrotóxicos. Hoje, a empresa estima produzir cerca de 300 milhões de vespas por dia.

Em comum com o Google e o Facebook, além de ser companheira de ranking, a Bug tem o fato de ter nascido dentro da universidade. Dos quatro sócios da empresa, três estudaram e um trabalhou no campus da USP (Universidade de São Paulo) de Piracicaba.

Diogo Carvalho, sócio-fundador da empresa e diretor comercial, começou a estudar o controle biológico de pragas ainda na graduação. Depois, fez mestrado na área e conseguiu o dinheiro para montar sua empresa com a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Ele captou R$ 75 mil reais com a fundação, que até hoje já cedeu R$ 1,2 milhão à Bug.

Os produtos de sucesso da Bug foram criados a partir das pesquisas de pequena escala em laboratórios na universidade. “A gente tirou uma tecnologia que existia dentro da universidade, que já era de multiplicação da vespa, e transformou isso num produto comercial. Essa é a nossa grande inovação”, diz Carvalho.

A Bug mantém a ligação com a universidade desde a sua criação, em 2002. A empresa também mantém contato com redes de pesquisa na França e em outros países da América Latina. Além disso, 12 dos cerca de 70 funcionários da empresa se dedicam à pesquisa.

Hoje o setor de pesquisa e desenvolvimento da empresa tem dois focos. Um é a melhoria constante nos produtos já desenvolvidos. O outro é a tentativa de transformar experimentos de combate a pragas já feitos em laboratório em produtos de larga escala comercialmente viáveis.

A Bug tem previsão de aumentar seu faturamento em 10 vezes nos próximos 5 anos. Ela busca ampliar o mercado para inseticidas biológicos no Brasil e estima que o setor possa abocanhar uma fatia de 10% do setor de agrotóxicos, que atualmente movimenta R$ 8 bilhões por ano.

A empresa também quer oferecer pacotes completos para lavouras. Os inseticidas biológicos agem em pragas específicas e por isso são usados de forma conjunta com outros agentes de controle. A ideia da empresa é vender o pacote completo para o agricultor, sem que ele tenha de recorrer a outras empresas. Dessa forma, os sócios acreditam que será possível atuar em culturas como a soja e o tabaco.